domingo, 26 de setembro de 2010

1980 A metamorfose cultural urbana acontecia com um objetivo de mostrar a realidade com inteligência, sabedoria e cultura. Em 1983, o movimento Hip-Hop  nascia no país tropical, com sua música, sua dança e seu grafite. A dança break tomou conta das ruas, principalmente de São Paulo, para depois se alastrar por todo o Brasil, diminuindo assim a violência entre turmas de rua, que era freqüente nos bairros.
    A primeira parte da mudança  estava feita, mas não era só a união das gangs que o Hip-Hop queria; era muito pouco para muitos jovens que queriam a verdade e o caminho da honestidade. O movimento de rua trouxe consigo também o grafite, desenhos feitos com spray, que usam mensagens.
    Em 84, membros de gangs começavam a se preocupar mais com os meios de sobrevivência de si e dos seus, e então surgiu a música dos anos 90, o rap, música que fala direta ou indiretamente das injustiças e das coisas boas que nos cercam.
    “Cada  break uma coragem, cada rap uma verdade, cada grafite uma mensagem. Junte tudo com música e você tem a arte Hip-Hop”.
    Estação São Bento do Metrô, centro da cidade de São Paulo: foi lá que na década de 80 começou o movimento HIp-Hop. Mas antes de São Bento, já havia o pessoal do Funk & Cia. Um dos seus idealizadores e mais respeitado dançarino, profundo conhecedor da música negra no país, vem desde a época do Soul e está nos palcos até hoje. Seu nome: Nelson Triunfo. Ele foi o primeiro a levar para a rua a dança break, tornando-a conhecida em todo o Brasil através de shows. O break tomava conta do país. Mas os meios de comunicação, indústria, o comércio e outros que queriam tirar o proveito disso, transformaram o break em moda e o massificaram. Na época do break o palco mais conhecido não era nenhum salão ou mesmo baile, era a rua. Ou melhor, a 24 de maio, no centro de São Paulo. Muitos  garotos viram na dança de rua uma inspiração, a busca de algo que faltava para complementar o seu próprio interior: harmonizar a vida e se dedicar para uma vida cheia de atrasos e libertaram-se de tudo que poderia prejudica-los para se dedicar à dança.
     Na época do break surgiram muitas gangs, mas depois a febre passou. Aos poucos o break foi saindo de cena porque toda moda é descartável. Ele foi dando lugar a outro modismo. As rãs não eram mais as mesmas. Não se podia mais fazer roda de break. Não se podia mais dançar no centro de São Paulo. Mas o que para alguns tinha acabado, para outros estava começando, porém de outra maneira. As poucas gangs que ficaram se aprofundaram no assunto, na musica, na arte, na palavra, e descobriram que o HIp-Hop não podia parar na moda. Teria que continuar, pois só havia sido cumprida uma etapa, a do break. Foi ai que surgiu a São Bento, com as quatro gangs mais tradicionais de São Paulo: Back Spin Kings, Street Warrious, Nação Zulu e Crazy Crew. A são Bento era o palco dos rachas. Mas o começo não foi fácil pois nenhuma gang se entrosava com a outra. Era casa um pro seu lado, cada um tinha o seu lugar. Os grandes rachas eram feitos no Parque  do Ibirapuera e depois ficaram centralizados na São Bento. Todas as gangs começaram a formar uma união. Os rachas iriam continuar mas era preciso a união, pois as gangs já tinham seus próprios Djs, Rappers, e grafiteiros (artistas de rua). Tudo por amor à arte de expressar os sentimentos de que vem do subúrbio.
    A São Bento começou a virar um palco de breakrs que deixaram a rivalidade e coemçaram a treinar nas tardes de sábado. E mais: passaram a sua experiência de anos de conhecimento sobre o Hip-Hop para os novos breakrs que apareciam por lá. Houve uma época em que era difícil ficar na São Bento, pois a segurança do Metrô não permitia. Muitas confusões foram formadas e até brigas aconteceram. A direção do Metrô não entendia que muitos freqüentavam a São Bento para dar mais mais vida ao centro de São Paulo, com arte e dedicação. Não existiam vândalos entre o pessoal do break, mas mesmo assim através da violência e também pela força policial, eles foram impedidos de formar qualquer roda de break. Nas redondezas do Metrô. Foi a época mais triste. Os sábados já não eram como antes. Durante alguns meses, eram poucos os que se atreviam a pintar por lá. Depois de um tempo a situação se normalizou e até surgiram mais adeptos, novos dançarinos, Djs, Rappers etc.