quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O surgimento da cultura Hip-Hop em Santa Luzia por volta do ano de 1987, muitos fatos ocorreram no que diz respeito ao social-politico e cultural, desde a formação dos grupos de Rap, equipes de Break, Graffiti e a conscientização dos mesmos... Um dos mais importantes coletivos de cultura Hip-Hop foi criado em Santa Luzia. Reúne todos os elementos da cultura, criada em meados de 95/96, mantém suas atividades até hoje... Sendo que hoje o nome Posse se tornou algo banal pois algumas foram criadas meramente para existir no vazio, mas a Posse Santa Luzia não, existe um porquê, onde e quando. A informação foi e é nossa grande arma, pois Santa Luzia é um elemento de transformação dentro da grande BH, e dela saíram pessoas que fazem diferença dentro da cultura Hip-Hop. O grupo de rap Artigo 607, já fez parte do coletivo e tiveram experiência própria na posse. Cl, Caldeirão do Inferno, Setor 7 Palmital, talvez o mesmo fim teve a posse crescer idealizada pelo Clodo D’Lui (Rádio Santê), programa Rap Sundae, que hoje organiza eventos de cultura Hip-Hop, Renato LS que ex-Write Black MC’s, esse foi o primeiro nome do protesto Consciente que juntamente com Zé Roberto e Mano J que editava o zine Hip-Hop “Refugiados”, formaram a base da cultura Hip-Hop no extremo de Santa Luzia. Sem nos esquecermos, porém do Mano chera (Pukaralho), Nandinho, Badu DJ, Atitude Progressiva, os grafiteiros do Iga, cada um tem sua importância dentro da cena, Renato é hoje um dos vocais do SOS Periferia. É composto  por ATS, que chegou a passar pelo Protesto, manos Muck e Negro Beto, ex Pretos Pesados, só ai já se viu... Falando dessas fusões, vamos falar um pouco do PNR, Preconceito ao Sistema, mano Júlio ex. Menthideológica e Prisioneiros, estamos falando de Mano “A” e Doug, Bone “C”. Júlio, Edmilson... Favelados grupo formado só por cobra-criada, são essas mesmas pessoas que compõem hoje a organização da Posse Santa Luzia e Fazem o programa de Rádio Hip-Hop Periferia e nos faz lembrar de outras épocas, outros programas de Hip-Hop, da vanguarda da Rádio Favela, lá no inicio. A vanguarda aqui em Santa Luzia um dos mais importantes programas de Rap, onde também se falava de Break e graffiti. Informação nua e crua compôs a base de Santa Luzia, estamos falando do ano de 96, ano que foi realizado o mais importante evento do Segundo Encontro de Rap, onde se apresentaram Menthalidade (completo), Protesto Consciente, (hoje paralisado), Opinião Critica (em atividade), PNR, Artigo 607, Artigo Rap (extinto), e menthideológica (extinto) mais os grupos cultura Rap e Universidade sem cultura (ambos extintos). Muitos foram os grupos que encerraram atividades na última década, porém muitas foram às pessoas que contribuíram e contribuem até hoje com a cultura Hip-Hop, como diz, MWS “A união das forças alternativas nos dão o poder de interceder pela mesma”. Muitos manos de BH dizem que a Velha Escola não fez muito pela cultura Hip-Hop, talvez eles não fossem dotados de informação como disse Meola (Rádio Santê NPN, Região Noroeste BH) Alguns sim não fizeram absolutamente nada, outros agiram de forma consciente e quase sem apoio de ninguém levaram a cultura Hip-Hop onde quer que fossem. Doctor Bu vocal do Divisão de Apoio, antes de gravarem o CD independente, ganharam um festival de música onde estava concorrendo vários estilos e foi o Rap que ganhou o Primeiro lugar. A cultura Hip-Hop ganha muito com isso, de um outro lado o Black Soul, o grupo que mais gravou em minas (se não me engano 4 CD’s) pouco fez e faz pela cultura. Talvez de terem se preocupado somente com o caráter $, hoje com o nome de FDP, “o destino não se manifesta sem ironia”. E conta nas pick’ups com o DJ “F” (ex CDA- Caçador de Almas) O CDA, mano Robson mais outros que compunham a CORJA que colou um certo tempo  com a posse  Santa Luzia (Favelados) no momentos existem boatos que o CDA acabou e que a CORJA deve seguir o mesmo caminho... Talvez não passem de boatos, vale retornar no tempo e lembrar de fatos que antecedem a criação da CORJA (concentração Organizada de Jovens de Atitude) Bruno CV tomado por uma febre que talvez venha de São Paulo, tentou aglomerar jovens B’Boys, grafiteiros e DJ’s levando a frente um separatismo dentro da cultura Hip-Hop, muitos foram os encontros no Coreto na Praça da Liberdade, porém as coisas não ficaram por aí, depois que Easy (CDA) e alguns manos articularam e ficaram com a CORJA, Bruno CV colou na Spin Force Crew (Break) e sempre estão fazendo oficinas de Break. O beat, um dos B’Boys, faz parte da Velha Escola de BH, velhos e bons tempos... O formiga talvez o último B’Boy de Santa Luzia, pois dos antigos muitos optaram em estar cantando ou grafitando, também anda colado no Spin Force. Ziley Rap (ex Opinião Critica) e (Ex artigo Rap) talvez seja um dos Rapers mais nervosos que Santa Luzia já viu, performance indecente “corra agora play boy otário” Hoje além de estar compondo está fazendo painéis de graffite pelo mundo afora, também passou pelo Opinião Critica. Negro Selem além de editar um zine de Hip-Hop detém um grande acervo de HIp-Hop nacional, mano Delano que está em atividade até hoje na opinião critica é um dos dinossauros da cultura Hip-Hop através do graffiti. Princípio de 97, foi realizada uma DT (Demo Tape) que foi distribuída e divulgada para vários cantos do Brasil. Na fita tinha o som da Menthalidade, Menthideológica, Ziley Rap, Negro Selem, Artigo Único Mc Girl, Artigo 607, Opinião Critica, Advertência Verbal e Raciocínio Negro. Grupo do Bairro 1º de maio que na sua Primeira Formação contou com o Serrão, Sector e mano Digão, fez parte um bom tempo do coletivo da Posse Santa Luzia ta sempre em atividade, além do Conscientes da Periferia (Informativo da Posse Santa Luzia), Refugiados, Múltipla ação editado pelo Predador Grafiteiro (Skatista) o cataloco (Páginas Malditas) correu por aqui o “Faça a coisa certa” (Bruno CV), em BH rolava o MH20 (Clodo D’Lui) que hoje se encontra extinto. A 10 anos atrás ninguém dava nada pela cultura Hip-Hop, até as pessoas que faziam parte da mesma, muitas coisas mudaram e muitas vão mudar, desde que as pessoas perceberam que podem ser instrumentos de transformação, Hip-Hop aliado ao social, pois as pessoas que mais necessitam da cultura HIp-Hop, que representam a maioria, uma maioria excluída, mal alimentada e mal informada e hoje várias camadas da sociedade reconhecem a cultura Hip-Hop como fator de transformação, Revolução Cultural, (Arte Dança, Música e todos os elementos que a envolve), informação ao povo pobre.
Na última década envolvemos no último plebiscito de emancipação do Distrito de São Benedito, íamos nos separar dos 300 anos de tradição e progresso, é assim que eles falam, porém a verdade é outra, bem mais dura. Militávamos no PSB, bons tempos, Abrão, hoje no PCB, Edson Mário, Epa e outros...
Os grupos de Rap formados por Mulheres, quase nenhum persistiu ao tempo. As MC’s Girl (Palmital) que chegou a ser um dos principais grupos, hoje se encontra extinto. Mana Fúria (Ex Artigo Único) grupo que chegou a gravar 3 Demo Tapes, há boatos de que gravaram um CD Demo. Hoje está com o trabalho paralisado e é esposa do mano Fú (Ex-prisioneiros). O mais performático dos Rapers luzienses atualmente está montando uma banda (no caráter original das coisas), bateria, baixo, guitarra, juntamente com MWS e Ramon (Sobreviventes). Além de comporem uma banda forte participam do Projeto Guernica em BH. MWS é um ex vocalista do Menthalidade, um dos mais importantes grupos de Rap de Santa Luzia que contava com o DJ Cássio (produtor) e Menthal B que direto e reto colado no Kiko Bboy das antigas, bons tempos de Vilarinho e Chiodi. Os caras do industrial de BH e Contagem, os “bicho”, foram os primeiros a absorverem a cultura que vinha de São Paulo. As antigas... Mestre Rubinho, Duda, René (Ninguém quebrava como ele) Ermanio, Guedes (Varada), Geraldo, Black, (ex-pretos-pesados), Jamaika, Kamonga, a banda dos manos do Via Colégio, área dos disparo verbal, e do Realidade de Expressão. Grupo que tem discurso periférico afiado... Nos dias de hoje tem muito lobo com pele de cordeiro, a uns anos atrás o movimento era controlado por algumas pessoas que usara da cultura para beneficio próprio, sem informação fizeram a maior sacanagem na cultura Hip-Hop, diria que alguns merecem o titulo de “traidores da cultura Hip-Hop” infelizmente um seleto grupo de pessoas sabe disso... E o pessoal que chega hoje não sabe diferenciar, qual lado da moeda que pode apostar... A Rádio Favela cresceu através do Rap, no inicio a alguns anos atrás tocava grupos de BH e outras quebradas, depois de ganhar alguns prêmios internacionais, e um monte de gringos ver como se faz Rádio na Favela, foi rompido aos poucos com a cultura Hip-Hop reduzindo os tempos dos programas, é só fazer uma comparação de como era e como é... Por aqui vivemos pelos dias da massificação do Graffiti (em termos de produto de massa). Alguns defendem o Graffiti como algo à parte da cultura Hip-Hop (separado) e mais uma vez Santa Luzia tem sua importância como elemento transformador (quando falo Santa Luzia, falo algumas pessoas) uma das equipes de maior importância na atualidade Manos WRW Graffiti importância não somente pela qualidade dos trabalhos (imagem e mensagem) importância maior como articuladores, organizadores e sobretudo difusores da cultura Hip-Hop. Também não podemos esquecer de grupos como o CDR (Consciência de Rua), Mano Blue, Mano café, Lei do Cão, dos manos do Alto Vera Cruz, e Taquaril, (QBS, Voz da Periferia, Mente Negra).
A Banca do manos de Neves (Cicatriz Eterna) Consciência Negra, Irmãos de Sangue, que levam a cultura onde quer que vão. O mais interessante da cultura é que ela mesma cobra das pessoas e suas atividades, mais cedo ou mais tarde, como provocação divina, só que tudo em vida.
O bairro Palmital (Santa Luzia) sempre foi um grande foco de cultura Hip-Hop, muitos grupos existem, foram criados e extintos. A cena está sempre se reciclando, o exemplo disso é a Banca ZN, Advertência Verbal, hoje como os verbais, carimbadíssimo por aqui. Alguns grupos que estão sumidos, Comando de Elite do grande mano Mot, CRW, até o trombo com mano Rei direto só que o tempo para o grupo ta foda. Os manos do Arquivo Negro, colado no Quebra do MWS, Conceito radical que depois mudou para liberdade ativa do mano KS, Realidade Oculta dos moleques do Caldeirão, Comando de Rua, Mano Café, Protesto Negro, Igualdade Racial, que depois de rodar na mão de muito neguim (o nome) parou na mão do Loziano ( ex-Advertência Verbal). Não podemos nos esquecer do mano L Cop BH que nos deu a maior força na composição do coletivo. A algum tempo muitos diziam que o Hip-Hop não se veste, se sente eu completaria esta frase... se sente, se vive pois o bem maior de toda a cultura Hip-Hop está além de rimar, grafitar, dançar ou discotecar, está em descobrir nossa potencialidade como ser humano, ocupar nosso papel na sociedade e trabalhar de forma que possamos trazer benefícios a nossa comunidade, este sim é o propósito do verdadeiro Hip-Hop.
                                                                                                                            MIRANDA
                                                                                                                                   Julho de 2000.


                          Grupo Paz com F – Arte Graffiti

O grupo Paz com F foi criado para divulgar e incentivar a arte, que se faz presente entre adolescentes e crianças, visa promover ações que incidam sobre suas realidades sociais e de suas comunidades, comprometendo-se com movimentos e iniciativas que promovam a identidade histórica, étnica e social do povo brasileiro, mesclano os valores populares e acadêmicos numa reflexão multicultural.
Este Grupo pretende propor um redimensionamento da percepção do mundo, pela arte, e das formas de agir sobre ele pela cultura.
Acreditamos que o fazer artístico desperta no jovem uma visão mais ampla de tudo a sua volta, a expressão de suas possibilidades e um diálogo com o mundo além do discurso verbal e escrito.
Partimos do princípio de que o reconhecimento e o exercício das potencialidades internas de cada um reflete na sua ação e inclusão social.
Sem restrição quanto ao tipo de arte a ser divulgada, mas utilizando em especial da linguagem do Graffiti, por reconhecer seu caráter urbano, contestatório e sua afinidade com os jovens das periferias, o Paz com F também leva em seus ideais a divulgação do movimento Hip-Hop.
Procuramos evidenciar o detalhe da utilização das básicas e importantes expressões artísticas do Hip-Hop como mecanismos de crescimento pessoas, social e político dentro deste nosso mundo desigual.
Outro ponto importante de se destacar dentro da filosofia Hip-Hop é a necessidade do grupo de aprender, saber e estudar, do seu caráter de solidariedade e de conscientização, da divulgação da paz, da auto valorização e do respeito ao próximo e a não-violência como opção a marginalidade.
                                                                               Caxorroloco numero  4   julho  de   2000